"Não vamos repetir o ciclo do ouro", diz Lula ao barrar prioridade dos EUA na compra de ativos minerais
Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou ter descartado sumariamente uma proposta elaborada pelo governo dos Estados Unidos que previa prioridade às empresas americanas na aquisição de ativos minerários e terras raras no Brasil. Lula qualificou as termos apresentados como "inaceitáveis" e informou que o documento enviado durante as negociações do tarifaço em outubro de 2025 foi imediatamente encaminhado ao "arquivo morto" da administração federal.
A minuta visava estabelecer que Washington fosse previamente informada sobre negociações do setor no país, além de restringir a participação de atores não orientados pelo mercado em clara alusão à China. Em contraponto às exigências externas, Lula ressaltou a recente sanção da nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (Lei nº 15.506), reforçando que os recursos minerais pertencem ao povo brasileiro e que o capital estrangeiro só será aceito caso contemple a agregação de valor e o beneficiamento industrial em território nacional.
A nova legislação de minerais críticos institui o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e cria diretrizes de triagem para operações minerárias que possam afetar a segurança geopolítica do país. O plano autoriza a alocação de até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor da Atividade Mineral e prevê incentivos fiscais para empresas que internalizarem o processamento tecnológico dos insumos no Brasil.
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Cariacica/ES