Delator expõe repasses de US$ 12,3 mi a fundo de filme de Bolsonaro e desmente versão de Flávio Bolsonaro
A delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), aprofundou o cerco sobre a família Bolsonaro no caso Banco Master. O colaborador apresentou comprovantes e e-mails demonstrando que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, operacionalizou o envio de US$ 12,333 milhões (cerca de R$ 62,8 milhões) ao Havengate Development Fund — fundo no exterior vinculado ao financiamento do filme Dark Horse, obra de propaganda que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.
A revelação desmonta a versão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, que afirmava que os aportes do dono do Master haviam cessado em maio de 2025. Segundo o delator, houve uma transferência posterior de US$ 1,666 milhão realizada em setembro daquele ano. A operação envolvia a subscrição de cotas do fundo internacional gerido por Paulo Calixto — advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos —, por meio da Entre Investiments, empresa sediada no paraíso fiscal das Bahamas.
A Polícia Federal investiga agora se a totalidade dos valores multimilionários foi efetivamente aplicada na produção cinematográfica ou se o mecanismo serviu para lavar dinheiro e abastecer despesas e atividades de aliados do clã no exterior. Enquanto a defesa do senador repassa as explicações para a produtora Go Up — que contratou uma auditoria privada para validar os custos do filme —, os documentos sigilosos do caso Master seguem sob análise do ministro André Mendonça, aguardando decisão sobre a homologação do acordo.
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Cariacica/ES