Vídeo de apoio a Flávio Bolsonaro foi ENCENAÇÃO a pedido de Jair Bolsonaro, revelam bastidores
A aparente trégua na guerra familiar e política da extrema direita exigiu uma operação de resgate liderada diretamente por Jair Bolsonaro. Diante do risco de esfacelamento do seu movimento e do isolamento do senador Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral após a recusa de partidos do Centrão em compor coligação, o ex-presidente implorou para que Michelle Bolsonaro fizesse uma aparição pública ao lado do enteado. A gravação do vídeo de apoio foi motivada pelo temor de que uma derrota avassaladora de Flávio comprometa o futuro político de todo o clã.
Apesar de ter atendido ao pedido do marido para evitar um impacto ainda maior sobre o grupo, o descontentamento de Michelle ficou evidente durante toda a produção. Ao participar de uma roda de oração ao lado de Flávio — que trazia em mãos um quadro com a imagem de Bolsonaro —, a ex-primeira-dama manteve postura rígida, evitou trocas de olhares ou contato físico direto com o parlamentar e encerrou a interação com um gesto frio de despedida antes de se afastar do local.
Nos bastidores da gravação, Michelle mandou recados velados durante a sua fala sobre as qualidades exigidas para o exercício do poder, citando a necessidade de "mãos limpas" e de pessoas que "não juram enganosamente". Ao conversar com a imprensa na saída do comitê de campanha, a ex-primeira-dama tentou classificar o encontro como um gesto habitual, mas marcou território e deixou claro que a relação com os outros enteados, Carlos e Eduardo Bolsonaro, permanece profundamente estremecida e sem previsão de alinhamento.
A ex-primeira-dama voltou a criticar abertamente as articulações promovidas pela cúpula do partido, reafirmando sua oposição visceral ao acordo selado com Ciro Gomes no Ceará, episódio apontado como o estopim da crise interna com Flávio. Michelle lembrou ainda que a perda da elegibilidade do marido esteve associada a representações motivadas por ações dessa mesma legenda, reforçando sua rejeição às escolhas pragmáticas adotadas pelo comando da sigla no Nordeste.
A insatisfação de Michelle estendeu-se também ao modo como foi destituída do comando do PL Mulher após os recentes embates. Ela destacou que o trabalho realizado à frente do núcleo feminino resultou na eleição de mais de mil mulheres pelo país, mas lamentou a falta de respeito à autonomia que lhe havia sido prometida para a montagem dos diretórios e para a escolha das candidaturas da ala feminina.
Enquanto atende às exigências pontuais do maridagem para conter danos imediatos à imagem da família, Michelle mantém a estratégia de consolidar uma liderança própria dentro da ultradireita. O movimento projeta pontes com nomes de destaque que também enfrentaram desgastes com os filhos de Bolsonaro, visando manter espaço próprio no cenário político nacional para os próximos pleitos.
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Cariacica/ES