Crise na era Milei: 32 mil empresas fecham e desaprovação do governo dispara na Argentina
Política de abertura comercial e austeridade de Javier Milei provoca onda de fechamento de empresas e recessão, enquanto popularidade do presidente cai.
A política econômica ultraliberal implementada pelo presidente Javier Milei na Argentina enfrenta um cenário de crise profunda. Desde que assumiu o poder, em dezembro de 2023, o país viu o encerramento de cerca de 32,3 mil empresas, o que representa 6% do total de companhias em operação. Os dados, que refletem o período até julho de 2026, foram compilados pelo centro de estudos Fundar e reforçam o impacto negativo da abertura comercial desenfreada sobre a indústria nacional.
O desgaste da gestão Milei já se reflete nas urnas e nas pesquisas de opinião. Levantamento da consultoria Giacobbe y Asociados aponta que a desaprovação ao governo atingiu 56% em outubro, enquanto apenas 36% da população apoia a administração. O cenário é de alerta para o Palácio Rosada, já que o presidente pretende buscar a reeleição em outubro de 2027.
O setor têxtil é um dos mais afetados pela combinação de queda no consumo interno e concorrência desleal com produtos importados. Empresários relatam que a demanda retraiu drasticamente, forçando cortes de pessoal e a paralisação de maquinário. Segundo a consultoria Scentia, o consumo das famílias argentinas, que compõe dois terços do PIB, recuou 2,7% nos primeiros nove meses de 2026.
Embora o governo celebre a desaceleração da inflação — que caiu de patamares próximos a 200% para cerca de 30% —, a melhora macroeconômica não chegou à mesa dos argentinos. A economia, que contraiu 0,6% no segundo trimestre, caminha para uma recessão técnica, com projeções de nova queda no terceiro trimestre. Enquanto setores exportadores, como energia e mineração, apresentam desempenho positivo, a indústria de transformação e o comércio varejista sofrem com a falta de incentivos e a pressão externa.
Apesar da pressão política e do fechamento massivo de negócios, o governo mantém a postura de não alterar a rota. Milei classificou como "estupidez colossal" as críticas sobre a perda de poder de compra da população, e porta-vozes da administração reforçaram que o programa econômico atual é inegociável, ignorando os sinais de alerta emitidos pelo setor produtivo nacional.
Em resumo
Cerca de 32,3 mil empresas fecharam as portas na Argentina desde dezembro de 2023.
A desaprovação ao governo Milei chegou a 56% em outubro de 2026.
O consumo das famílias caiu 2,7% no acumulado dos primeiros nove meses de 2026.
O país caminha para uma recessão técnica após sucessivas quedas na produção industrial e no PIB.
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Cariacica/ES