MST recebe prêmio Berta Cáceres na Espanha em reconhecimento ao compromisso ambiental e luta pela reforma agrária
Representante Kallen Oliveira afirmou compromisso de seguir luta em defesa da natureza, dos povos e do campo
Kallen Oliveira, representante do MST, que recebeu o prêmio na Espanha
Kallen Oliveira, representante do MST, recebeu o prêmio na Espanha | Crédito: Reprodução/MST
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu o Prêmio Berta Cáceres de Compromisso Ambiental, concedido pelo Festival de Cinema Ecozine, pela trajetória de luta na reforma agrária, na semana passada.
Kallen Oliveira, que recebeu o prêmio na Espanha representando o MST, afirmou que a honraria “é um reconhecimento da luta, da história de Berta Cáceres, mas que se conecta com a luta dos povos camponeses do mundo e do Brasil. Nos sentimos honrados e assumimos também a responsabilidade de seguir essa luta em defesa da natureza, dos povos e do campo”.
Para Oliveira, que é coordenadora da campanha Plante Árvores, Cultive Alimentos Saudáveis do MST, o prêmio representa a responsabilidade do movimento acerca da “democratização da terra e da construção de uma reforma agrária popular, que vai além do acesso à terra e implica a construção de um projeto político para o campo, assim como a construção de uma sociedade baseada na emancipação humana”.
“O Brasil é um país muito violento para quem luta pela terra e pelos direitos. Amanhã se completam 30 anos do massacre de Eldorado do Carajás, mas há uma longa e dolorosa lista de outros episódios de violência e assassinatos de lideranças populares”, afirma.
Oliveira denunciou o contexto de violência no campo no Brasil. “Enfrentamos o agronegócio, que no Brasil é o braço do sistema capitalista no campo, e estruturas historicamente excludentes. A terra é um bem comum, e quem a controla tem os meios de produção. Por isso, está em disputa, junto com outros bens da natureza como a água, as sementes e a biodiversidade”, acrescenta.
“O que mais sofremos hoje é a financeirização da natureza: a propriedade passa dos latifundiários para os fundos de investimento, e a terra se transforma em um ativo financeiro, como o ouro. É a mercantilização da natureza”, afirmou.
Por fim, Oliveira falou sobre a dimensão do MST. “Hoje somos mais de 450 mil famílias assentadas e milhares em situação de acampamento. Defendemos uma forma de propriedade comunal e coletiva, construída a partir dos assentamentos como alternativa ao modelo dominante.”
No total, o 19º Festival de Cinema Ecozine entregou 34 prêmios para movimentos e produções de 13 países nas categorias de Longa-metragem Documental (9), Curta-metragem Documental (8), Curta-metragem de Ficção (9) e Curta-metragem de Animação (8), de um total de mais de 319 filmes recebidos de 54 países.
O Prêmio Berta Cáceres foi concedido em comum acordo com a família de Berta Cáceres e com o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), que neste ano completa 33 anos de sua criação.
Em edições anteriores, o prêmio foi concedido às seguintes organizações, movimentos e indivíduos:
2008: Voluntários do Pavilhão de Iniciativas Cidadãs (El Faro)
2009: Greenpeace Espanha
2010: Água, Rios e Povos (Internacional)
2011: Pablo Fajardo, representando os afetados pela Chevron-Texaco no Equador (Equador)
2012: Coordenador de Pessoas Afetadas por Grandes Barragens e Transposições de Água (COAGRET-Internacional)
2013: O Besouro Verde, programa de televisão (Espanha)
2014: EFE VERDE, agência de notícias
2015: Plataforma para um Novo Modelo Energético (Espanha)
2016: Berta Cáceres Flores (Honduras)
2017: Rede Pública de Água RAP (Espanha)
2018: Plataforma Salve a Montanha de Cáceres (Espanha)
2019: Movimento dos Afetados por Barragens (Brasil)
2021: Libertação da Mãe Terra (Colômbia)
2022: Rebelião Científica (Espanha)
2023: Plataforma em Defesa das Montanhas de Aragão (PDMA)
2024: Conselho do Povo Maia (Guatemala)
2025: Teresa Vicente Giménez (Espanha)
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