Patrimônio de mulher do vice-governador Felicio Ramuth salta 580% após posse em São Paulo
O escândalo da explosão patrimonial da burguesia ligada ao governo de Tarcísio de Freitas ganhou contornos alarmantes. A empresária Vanessa Ramuth, casada com o vice-governador Felicio Ramuth, viu sua fortuna pessoal saltar inacreditáveis 580% desde que o marido assumiu o cargo na estrutura do estado. O enriquecimento chocante fez com que seus bens declarados saltassem de R$ 2 milhões em janeiro de 2023 para impressionantes R$ 13,6 milhões ao final de 2025, evidenciando como a máquina pública paulista tem servido de trampolim financeiro para os aliados da extrema direita.
A maior parte desse dinheiro tem origem na Direct Serviços Digitais e Sistemas, uma empresa de fachada que não possui um único funcionário registrado, tem capital social de míseros R$ 5.000 e funciona em um endereço de coworking em Barueri. Essa empresa, que hoje pertence formalmente à segunda-dama, foi fundada originalmente pelo próprio Felicio Ramuth e seus antigos parceiros de negócios, e passou a operar como um duto de recursos milionários assim que o clã bolsonarista assumiu o controle do Palácio dos Bandeirantes.
Uma investigação jornalística desmascarou o esquema ao localizar 41 notas fiscais com repasses milionários para a empresa de Vanessa. Antes de Ramuth ser eleito vice-governador, os pagamentos eram raros e esporádicos; porém, após a posse na gestão de Tarcísio de Freitas, as transferências financeiras viraram uma rotina mensal agressiva, somando R$ 10,3 milhões entre 2023 e 2025, além de mais R$ 1,5 milhão abocanhados em 2026. Os recursos saíram diretamente das empresas A.L.A. de Oliveira Sistemas e CSJ Consultoria.
As duas empresas financiadoras pertencem à família de Angelo de Oliveira, ex-sócio de Felicio Ramuth. Para piorar o cenário de suspeitas, as companhias estão sediadas em São José dos Campos, reduto eleitoral que o atual vice-governador administrou como prefeito. Ambas possuem tentáculos profundos e contratos milionários com o poder público na área de coleta de lixo, incluindo negócios de R$ 22,2 milhões com a prefeitura de São Paulo, o que escancara a promiscuidade entre o dinheiro público de concessões urbanas e o bolso da família do governante.
Com a dinheirama que entrou na conta da empresa fantasma após a eleição, a segunda-dama paulista diversificou seu patrimônio de forma ostentosa. A declaração atual de Vanessa Ramuth inclui R$ 2,3 milhões guardados em investimentos bancários, um empréstimo suspeito de R$ 850 mil concedido ao próprio marido e, o mais grave, uma fortuna de R$ 9,6 milhões ocultada em uma participação na Visio Panamá Corporation S.A., uma offshore localizada em um conhecido paraíso fiscal na América Central.
Acuado, o vice-governador tentou blindar os negócios da esposa alegando que os milhões recebidos são referentes a direitos de tecnologia antiga e que a offshore no Panamá está declarada. No entanto, Ramuth admitiu que seguiu orientações de advogados para esconder e não apresentar o contrato que justifica a dinheirama repassada mensalmente à mulher. Enquanto a cúpula do governo esconde documentos dos órgãos de controle, as empresas envolvidas se calaram sob a desculpa de confidencialidade comercial.
Com informações do DCM
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Cariacica/ES