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Bets não são apenas um problema econômico, mas de saúde pública, afirma psicóloga da Fiocruz


Bets não são apenas um problema econômico, mas de saúde pública, afirma psicóloga da Fiocruz
Olga Jacobina destaca a importância de capacitar profissionais da saúde para identificar vícios

 

anigif  Fraternidade São Francisco

 

Bets não são apenas um problema econômico, mas de saúde pública, afirma psicóloga da Fiocruz


Olga Jacobina destaca a importância de capacitar profissionais da saúde para identificar vícios

Afonso Bezerra E Ana Rosa Carrara E Maria Teresa Cruz
Pessoa utiliza aplicativo de apostas no celular; mercado cresce com forte presença no ambiente digital e publicidade constante

Cerca de 60% dos brasileiros acreditam que as bets viciam e aumentam o endividamento das famílias, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (6). O levantamento também indica que homens apostam mais que mulheres e 44% dos entrevistados apoiam a proibição das apostas online no país, regularizadas desde 2018.

Diante desse cenário, a Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, criou um curso de formação para profissionais da área da saúde, da atenção primária e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) atuarem nessa frente.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a psicóloga Olga Jacobina, da Fiocruz, avalia que a facilidade de realizar apostas é um grande obstáculo para controlar o que se tornou um problema de saúde pública no Brasil. “Para fazer uma aposta, você não precisa sair de casa. O acesso ficou muito fácil e aí o comprometimento da vida das pessoas com as apostas também aumentou. Não é só uma questão do endividamento, uma questão econômica, a gente tem uma situação de saúde importante“, pondera.

Jacobina explica que existe uma falta de compreensão do quadro das pessoas que se viciam em jogos de aposta online e que elas chegam ao sistema buscando ajuda com sintomas de quadros comportamentais já avançados. “Elas não chegam dizendo que estão viciadas em jogos. Elas chegam com crise de ansiedade, às vezes após a tentativa de autoextermínio, desentendimento com toda a família, com dívidas com agiota. Ela chega a um estado de saúde, num estado emocional muito complicado”, conta a psicóloga.

A ideia do curso, explica Olga Jacobina, é justamente responder a uma situação de saúde que não se trata de um caso isolado ou uma situação psiquiátrica, mas é resultado de um problema maior, e os profissionais precisam estar capacitados, inclusive, para identificar esse quadro. “Eu quero ver quem não conhece hoje alguém que, na hora em que você vai conversando, você vai entendendo que não é só uma questão de ter brigado com alguém ou de ter se desentendido ou só de um endividamento. O cenário é preocupante”, pondera.

Jacobina também reforça o que a pesquisa aponta, de que a maioria dos apostadores são homens e em situações de maior vulnerabilidade social. “A gente tem uma questão importante que, se você for observar, as pessoas que são mais vulneráveis a isso são jovens, adolescentes, de uma classe mais empobrecida. Aí você vê que às vezes tem uma expectativa de fazer renda a partir das apostas, que também é um grande problema”, afirma.

Para pessoas que estejam passando por uma situação delicada por conta de vício em jogos online, a psicóloga recomenda buscar a Raps, que é a Rede de Atenção Psicossocial, composta pela Unidade Básica de Saúde (UBS), como a porta de entrada para o sistema, e, em casos mais graves, já buscar atendimento no Caps.

 



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