Crise no TSE: ministros acusam Nunes Marques de usurpar competência para blindar Flávio Bolsonaro
A canetada solitária do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, para derrubar o canal "Exército do Lula" no WhatsApp provocou uma grave crise institucional e deflagrou um racha nos bastidores da Corte Eleitoral. Integrantes do próprio tribunal classificaram a conduta do magistrado como uma flagrante e indevida usurpação da competência do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que já conduzia rigorosamente as apurações sobre o grupo administrado pelo deputado André Janones.
A manobra orquestrada pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) consistiu em recorrer diretamente à presidência do TSE no sábado à tarde, poucas horas após o corregedor exigir esclarecimentos formais sobre as alegações inconsistentes apresentadas pela chapa de extrema-direita. Ao acolher o pleito bolsonarista em menos de 24 horas por meio de um atalho administrativo, Nunes Marques atropelou a instrução em andamento promovida por Cueva e suspendeu monocraticamente a rede que reunia mais de 3 milhões de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tensionamento interno na Justiça Eleitoral se soma a episódios recentes em que Nunes Marques pediu destaque para travar no plenário virtual três julgamentos que caminhavam para formar maioria acachapante contra abusos da propaganda bolsonarista. Ao travar o rito colegiado e impor um regime de supervisão direta sobre as plataformas sem consultar os demais ministros, o magistrado indicado por Jair Bolsonaro amplia a desconfiança de seus pares e escancara a tentativa desesperada de favorecer a candidatura do filho do ex-presidente no segundo turno.
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Cariacica/ES