STF se prepara para enquadrar senadores bolsonaristas investigados pela Justiça
Os ministros do Supremo Tribunal Federal já articularam uma estratégia em duas frentes para responder às ameaças de impeachment e às tentativas de intimidação promovidas pela bancada bolsonarista eleita para o Senado Federal. Diante do avanço de nomes radicais da extrema-direita, os magistrados avaliam que a bravata eleitoral contra a Corte Suprema encontrará limites concretos tanto na negociação política com setores moderados do PL quanto no avanço implacável de apurações judiciais que miram os próprios parlamentares eleitos.
No plano da interlocução política, integrantes do tribunal veem espaço para abrir pontes de diálogo com quadros do partido do ex-presidente que não adotam o confronto ideológico cego como bandeira única. A leitura interna é de que o discurso inflamado das campanhas costuma ceder lugar ao pragmatismo parlamentar, permitindo construir consensos com figuras menos radicais da legenda e isolar os extremistas que tentam aparelhar as instituições.
Por outro lado, o fator mais decisivo para conter a sanha golpista no Congresso reside nos inquéritos policiais conduzidos sob a supervisão da própria Suprema Corte. Vários dos novos senadores eleitos pela onda conservadora respondem a apurações graves na Polícia Federal por suspeitas de corrupção, desvio de verbas públicas e irregularidades administrativas, com desdobramentos que podem atingi-los antes mesmo da posse marcada para o ano que vem.
A avaliação reservada de ministros do STF é de que a disposição para atacar os magistrados tende a despencar à medida que as investigações avançarem e expuserem a vulnerabilidade jurídica dos acusados. Como definiu um dos magistrados ao comentar a postura dos futuros parlamentares, a valia e a coragem do bolsonarismo contra as instituições democráticas costumam ir apenas até a página dois, dissolvendo-se assim que o rigor da lei bate à porta de seus gabinetes.
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Cariacica/ES