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Lula cobra ação pela pátria e pela humanidade: ‘É hora de impor uma derrota ao negacionismo’


Lula cobra ação pela pátria e pela humanidade: ‘É hora de impor uma derrota ao negacionismo’
Na ONU, presidente denuncia paralisia diante das guerras, cobra soluções diplomáticas e reafirma compromisso do Brasil com a proteção das florestas e a transição energética

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Lula cobra ação pela pátria e pela humanidade: ‘É hora de impor uma derrota ao negacionismo’


Na ONU, presidente denuncia paralisia diante das guerras, cobra soluções diplomáticas e reafirma compromisso do Brasil com a proteção das florestas e a transição energética

↑ Lula: "A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra"
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou responsabilidade das grandes potências para interromper as guerras e enfrentar a crise climática nesta terça-feira, 22, na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ao afirmar que a ONU vive seu momento mais crítico desde que começou a discursar na instituição, em 2003, Lula denunciou a paralisia do Conselho de Segurança e resumiu o compromisso que espera dos governantes: “Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade”.

Em sua décima participação na abertura do Debate Geral como presidente, Lula afirmou que o sentimento que o movia era a indignação. Segundo ele, a organização está falhando na missão de livrar a humanidade das guerras, com a credibilidade abalada e uma capacidade cada vez menor de proteger os mais vulneráveis.

“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse.

O presidente recordou que, já na primeira sessão da Assembleia, em 1946, o Brasil alertava para o custo do direito de veto. O mecanismo permite que qualquer um dos cinco integrantes permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) bloqueie decisões substantivas, mesmo quando apoiadas pela maioria.

Para Lula, esse privilégio de origem se soma a uma crise de responsabilidade dos governantes. O presidente afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e advertiu que trilhões de dólares alimentam uma nova corrida armamentista, enquanto tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma guerra de proporções globais.

“Não desconheço as realidades do poder. Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo. A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, apontou.

Lula cobrou uma reunião dos governantes dos países que integram o Conselho de Segurança e afirmou que a comunidade internacional precisa escolher entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. “Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos”, ressaltou.

Gaza, Oriente Médio e Ucrânia: a urgência da diplomacia
Ao abordar o conflito entre israelenses e palestinos, Lula recordou Yasser Arafat e Yitzhak Rabin como estadistas que desafiaram o passado para construir a paz, mas foram derrotados pelo ódio. O presidente condenou tanto a violência do governo de Benjamin Netanyahu contra a população de Gaza quanto os ataques terroristas do Hamas contra civis israelenses.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo Governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, declarou.

Lula também denunciou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e a seus integrantes como um estímulo à impunidade. Ao mencionar Francesca Albanese, relatora especial da ONU, afirmou que ela “não pode ser silenciada por dizer a verdade”.

O presidente alertou que os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, considerada por ele essencial para garantir segurança a israelenses e palestinos. Na avaliação de Lula, a escalada das ameaças e das ações militares amplia a instabilidade e transfere os custos dos conflitos para famílias de todo o mundo.

“Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio. O Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional”, afirmou.

Lula relacionou a guerra ao aumento dos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos. Ao tratar da invasão russa da Ucrânia, ressaltou o prolongamento do drama humanitário e a continuidade das mortes, sem perspectiva de solução militar.

“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”, afirmou.

Como alternativa, citou o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China. Lançada em setembro de 2024, com a participação de países do Sul Global, a iniciativa busca favorecer uma solução diplomática para o conflito.

Soberania dos povos e recuperação do papel da ONU
Na América Latina e no Caribe, Lula rejeitou pretensões hegemônicas e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre vizinhos. O presidente denunciou a ingerência externa em processos eleitorais e as investidas sobre recursos estratégicos da região.

“O povo venezuelano merece definir o próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”, afirmou.

Lula também chamou atenção para a crise no Haiti, que, segundo ele, continua a testar os limites da indiferença internacional. Sobre Cuba, condenou o sofrimento imposto à população pelo bloqueio econômico e pelas restrições ao acesso à energia.

“Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”, declarou.

Apesar das críticas à paralisia internacional, o presidente resgatou o papel histórico das Nações Unidas na descolonização, na promoção dos direitos humanos e no apoio ao desenvolvimento sustentável. Lembrou que a organização protegeu migrantes e refugiados e condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa.

“A ONU nasceu sob o signo da esperança. Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz”, afirmou.

“É hora de impor uma derrota ao negacionismo”
A cobrança pelo fortalecimento da cooperação internacional também alcançou a saúde e o meio ambiente. Lula criticou a resistência às evidências científicas, recordou as vidas perdidas pelo descaso durante a pandemia de covid-19 e alertou que campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças consideradas erradicadas.

“Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis”, afirmou.

No campo ambiental, o presidente denunciou o recuo da agenda climática nos espaços de decisão internacional. Segundo Lula, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20 neste ano, embora os dois grupos reúnam os maiores emissores de carbono.

“É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo”, declarou.

O presidente citou o derretimento das geleiras do Himalaia e o risco de um super El Niño provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes regiões do planeta. Ressaltou que os efeitos desses fenômenos atingirão sobretudo as populações mais vulneráveis.

Ao apresentar a posição brasileira, Lula afirmou que o país demonstra ser possível combinar crescimento econômico e redução de emissões. Mencionou a autossuficiência em petróleo e a continuidade das pesquisas sobre novas reservas, incluindo a Margem Equatorial, e reafirmou o compromisso com a descarbonização.

“Não renunciaremos à agenda ambiental. Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira”, assegurou.

Lula destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado em Belém no contexto da COP30, como exemplo de mudança na forma de financiar a conservação. A iniciativa foi concebida para remunerar a manutenção das florestas, com pelo menos 20% dos pagamentos destinados a povos indígenas e comunidades locais.

“A floresta vale mais em pé do que destruída”, afirmou. O presidente acrescentou que o Brasil continuará reduzindo o desmatamento, que, segundo o discurso, caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos.

O presidente apontou o país como referência em energia verde e detentor de minerais críticos e terras raras necessários à transição energética, Lula afirmou que a exploração dessas riquezas deverá beneficiar a população brasileira.

“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, declarou.

 


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