“Mendonça entrou de cabeça na blindagem da ‘familícia’ Bolsonaro”, critica Fernanda Melchionna
Deputada do PSOL cobra a saída imediata de ministro do caso Banco Master e defende rigor nas investigações da Polícia Federal
“Mendonça entrou de cabeça na blindagem da ‘familícia’ Bolsonaro”, critica Fernanda Melchionna
Deputada do PSOL cobra a saída imediata de ministro do caso Banco Master e defende rigor nas investigações da Polícia Federal
247 – A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) criticou duramente a decisão tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, acusando o magistrado de atuar deliberadamente para proteger aliados políticos e enfraquecer apurações sobre esquemas de corrupção. A congressista defendeu a saída imediata do ministro da relatoria do caso envolvendo o empresário Daniel Bueno Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, e apelou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que tome providências institucionais.
A forte reação da parlamentar ocorre no contexto do despacho proferido por André Mendonça nos autos da Petição 16.662. Na deliberação, o relator acolheu parcialmente requerimentos formulados pelo Partido Novo para afastar o comando da corporação policial, sob a alegação de apurar “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” na condução de trabalhos da inteligência policial. A provocação partidária ocorreu após a emissão de Informação de Polícia Judiciária que identificou citações ao nome “Andrei” em registros de conversas encontradas no telefone celular apreendido do empresário Daniel Vorcaro.
Fernanda Melchionna destacou que o afastamento dos delegados representa um duro golpe contra os responsáveis por revelar as vísceras de apurações bilionárias sobre o Banco Master e o INSS. “É urgente o afastamento do Mendonça do caso do Vorcaro. Isso está na mão do presidente do Supremo. Cabe ao Fachin tomar essa decisão. Nós pedimos o afastamento dele porque está evidente que ele entrou de cabeça no processo de blindagem da familícia, ou da família, Bolsonaro”, afirmou a deputada.
A parlamentar ressaltou que a cúpula da instituição agora afastada por Mendonça desempenhou papel central no desmantelamento de esquemas que conectam operadores financeiros a repasses para o exterior. “É evidente que o Vorcaro, que foi preso por este diretor da Polícia Federal, o Andrei, e pelo chefe da inteligência que ele [Mendonça] acaba de afastar, foram esses que investigaram o maior processo de corrupção da história do Brasil, que começou no governo Bolsonaro, que tem R$ 60 milhões para o Dark Horse pedidos pelo Flávio Bolsonaro e que agora ele afasta”, pontuou.
O caso mencionado pela deputada envolve investigações sobre a remessa de milhões de dólares de empresas ligadas a Daniel Vorcaro — como a Enter Investimentos, gerida por Antonio Freixo Júnior, o “Mineiro” — para o fundo Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. O Coaf, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apuram se os valores foram direcionados ao financiamento da biografia cinematográfica “Dark Horse”, vinculada a Jair Bolsonaro (PL), ou se abasteceram outras finalidades ilícitas.
A congressista alertou ainda que a interferência no comando policial pode anular a coleta probatória e favorecer investigados presos. Segundo ela, a decisão do magistrado atua “criando, por um lado, uma blindagem à família Bolsonaro e criando possivelmente uma narrativa que pode ajudar o próprio Vorcaro a se livrar do xilindró no processo de investigação, com o uso seletivo e de expedientes ilegais do processo de investigação”.
Em sua fundamentação, André Mendonça alegou ter sofrido “monitoramento e coleta dirigida” por parte da Polícia Federal por mais de 30 dias. O magistrado apontou a existência de seis relatórios apócrifos divulgados no Inquérito 4.781 que avaliavam sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias, escrutinavam a “matriz religiosa comum” entre ambos e vazavam informações mantidas sob estrito segredo de justiça relativas a alvos políticos.
Diante do cenário de crise, Melchionna reafirmou a necessidade de defender a autonomia das apurações. “Nós precisamos urgentemente pedir o afastamento do Mendonça, e não aceitar uma interferência numa investigação séria da Polícia Federal, doa a quem doer, custe o que custar”, concluiu a deputada. Com o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, a chefia da corporação foi assumida interinamente pelo diretor-executivo William Marcel Murad, enquanto a decisão aguarda análise na Segunda Turma do STF.
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