Flávio Bolsonaro é alvo de 2º inquérito no STF sobre suspeita de lavagem de dinheiro
Entre os pontos investigados pela PF está o acesso privilegiado de Flávio a uma conta bancária de empresa do advogado, que movimentou R$ 130 milhões em três meses
por Priscila Lobregatte
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela abertura de inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras irregulares e possíveis vínculos econômicos ocultos entre o candidato às presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado e empresário Willer Tomaz.
A decisão foi tornada pública neste domingo (18), mas teria sido tomada na semana passada. A relatoria do caso, conforme sorteio na Corte, ficará a cargo do ministro Alexandre de Moraes.
Este é o segundo inquérito envolvendo o senador — o primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, trata do suposto financiamento, até hoje não explicado por Flávio, da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”, para o qual Flávio pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Mais do que amizade
Um dos focos centrais das investigações diz respeito à relação de Willer com bets e com lavagem de dinheiro. Segundo a PF, uma das contas bancárias dele movimentou, somente entre março e maio de 2025, cerca de R$ 130 milhões.
De acordo com a PF, há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, primeira bet a obter autorização estadual no governo do Rio de Janeiro para explorar apostas esportivas.
Além disso, o advogado pode estar envolvido à bet Blaze e a uma movimentação de R$1,4 bilhão em transações financeiras. A suspeita é de que apostas feitas no site e transferências entre diferentes contas ligadas a Willer tenham sido utilizadas para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz teriam muito mais do que uma simples amizade, como ambos alegam. Trecho de relatório da PF publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo diz que “a análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores públicos, integrantes do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (…)”.
O relatório prossegue dizendo que “entre esses vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados”. Por esse motivo, a investigação iniciada pela PF no Rio Grande do Sul foi levada ao STF, onde tramitam processos de pessoas com prerrogativa de foro.
E-mails encontrados durante as investigações revelaram que Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Willer Tomaz.
A empresa é sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Embora não seja considerada um paraíso fiscal, a localidade tem uma baixa tributação e pode oferecer vantagens a empresas que buscam discrição patrimonial e societária.
A PF fala ainda de “referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud [nuvem] de Willer”. Entre os achados estão registros de viagens de Flávio, Willer e seus familiares em aeronaves custeadas por empresas ligadas ao advogado, inclusive a Alcazar. Um dos aviões utilizados tinha participação tanto dessa empresa como da Prime You, que já teve Daniel Vorcaro como sócio.
Willer Tomaz já foi alvo de buscas da PF em agosto, no âmbito da Operação Sem Desconto, sobre a fraude do INSS. Conforme noticiado, a PF apontou o advogado como “membro central” da estrutura investigada nesse caso e que empresas ligadas a ele teriam repassado mais de R$ 11 milhões à mulher do senador Weverton Rocha.
Além disso, em julho de 2026, a Justiça do Rio havia bloqueado bens da RioPag, fundo do qual ele é cotista, por não devolver R$ 20,9 milhões à Loterj.
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Cariacica/ES