Mesada de Ciro Nogueira subiu de R$ 300 mil para R$ 500 mil durante o governo passado
A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, desmantelando um esquema de corrupção sistêmica que tinha no centro o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. A investigação revelou que o parlamentar recebia repasses mensais — uma espécie de "mesada" — que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, pagos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Em resposta à gravidade das provas, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas e apreensões e o bloqueio imediato de R$ 18,8 milhões das contas dos envolvidos.
O rastreamento financeiro realizado pela PF identificou que os pagamentos eram realizados de forma fracionada e periódica, visando burlar os mecanismos de fiscalização do Coaf. Para os investigadores, Ciro Nogueira atuava como um braço político de luxo para os interesses de Vorcaro em Brasília, utilizando sua influência no governo passado e no Congresso para direcionar decisões e aprovar medidas que beneficiassem diretamente a instituição financeira. O esquema expõe a podridão das relações entre a cúpula do bolsonarismo e setores predatórios do sistema bancário.
A operação cumpriu mandados de busca na residência e no gabinete do senador em Brasília, além de endereços no Piauí, São Paulo e Minas Gerais. Mensagens interceptadas mostram assessores de Ciro coordenando a entrega de valores e discutindo o andamento de pautas do interesse do Banco Master. Enquanto o país enfrentava crises sucessivas, o núcleo político de Bolsonaro operava um balcão de negócios lucrativo, transformando o mandato parlamentar em uma mercadoria vendida ao maior lance, sob o manto da impunidade que agora começa a ruir.
A decisão do STF detalha que a "mesada" permitiu um enriquecimento ilícito do senador, com indícios de lavagem de dinheiro através da simulação de negócios empresariais superfaturados. A PF aponta que a proximidade de Ciro Nogueira com o dono do Banco Master resultou em benefícios bilionários para a instituição, que viu suas pautas avançarem no governo federal enquanto o senador garantia sua fatia mensal no esquema. Sob a gestão Lula, o fortalecimento da autonomia da Polícia Federal tem sido crucial para que esses fluxos de corrupção de colarinho branco sejam finalmente interrompidos.
O cerco contra o líder bolsonarista é visto como um marco no combate à captura do Estado por grupos criminosos. A Operação Compliance Zero busca agora identificar se outros parlamentares da extrema direita também figuravam na folha de pagamento paralela de Daniel Vorcaro. A robustez dos comprovantes de depósitos e das comunicações entre os criminosos deixa pouca margem para a defesa de Ciro Nogueira, que tentou, sem sucesso, barrar o avanço das investigações através de recursos protelatórios no Judiciário.
O desmonte desta rede de propinas do Banco Master é um passo fundamental para higienizar a política nacional e garantir que os recursos que deveriam servir ao povo não terminem em contas secretas de políticos traidores da pátria.

contato@documentosperdidos.com.br
Cariacica/ES