Acadêmicos de Niterói reage ao rebaixamento: “A arte não é para covardes”
A Acadêmicos de Niterói deu uma demonstração de altivez e coragem após o resultado amargo da apuração do Carnaval 2026. Mesmo rebaixada para a Série Ouro, a escola não recuou um milímetro do posicionamento artístico e político que levou para a Marquês de Sapucaí. Em suas redes sociais, a agremiação publicou frases contundentes como “A arte não é para covardes” e “Quanto vale para entrar na história?”, deixando claro que o compromisso com a verdade e com a memória do povo brasileiro está acima de qualquer nota de jurado.
O desfile foi um verdadeiro ato de resistência contra os anos de trevas. A comissão de frente não poupou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representando-o através da figura de um palhaço que repetia seus gestos característicos. A escola também cumpriu o papel fundamental de não deixar o Brasil esquecer a tragédia da gestão da pandemia, exibindo alegorias com cruzes e o número 700, uma referência dolorosa às mais de 700 mil vidas perdidas sob a negligência do antigo governo.
A postura destemida da Niterói despertou a fúria da extrema-direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o Partido Liberal (PL) atacaram publicamente a agremiação, tentando classificar a legítima expressão artística como mero "discurso político". Antes mesmo do Carnaval, a senadora Damares Alves tentou censurar o desfile na Justiça, mas foi derrotada pelo juiz federal Francisco Valle Brum, que preservou o direito constitucional da escola de se manifestar e exaltar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de retornar à Série Ouro em 2027, a Acadêmicos de Niterói sai do Grupo Especial com o título moral de campeã da dignidade. Enquanto os setores conservadores e os herdeiros do bolsonarismo celebram o resultado matemático, a escola de Niterói entra para a galeria dos desfiles imortais que usaram a maior vitrine cultural do mundo para denunciar o autoritarismo e celebrar a democracia. A luta contra a fome e a desigualdade, eixos centrais do enredo sobre o operário do Brasil, continuará ecoando em cada ensaio da agremiação.
O rebaixamento da Niterói levanta discussões profundas sobre os critérios de julgamento em desfiles que desafiam o status quo. No entanto, para quem defende um Carnaval engajado e popular, o veredito já foi dado pelo público: a escola cumpriu sua missão de ser a voz de milhões de brasileiros que resistiram ao obscurantismo. A reconstrução para 2027 já começou, mas com a certeza de que a semente da esperança e da justiça social foi plantada de forma definitiva na avenida.
O retorno à elite será apenas uma questão de tempo para uma instituição que provou que o samba é, sim, um território político e de libertação. A Acadêmicos de Niterói mostrou que não tem medo de enfrentar o sistema ou o ódio da prole bolsonarista para contar a verdadeira história do Brasil da Silva. O amor venceu o medo na Sapucaí, e esse legado nenhuma apuração é capaz de rebaixar.
Com informações do DCM
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Cariacica/ES